Como um acidente que queimou o meu braço se tornou na maior lição de amor-próprio da minha vida

Estou prestes a partilhar contigo algo que nunca partilhei online, talvez por só agora estar preparada para o fazer. Eu já partilhei sobre a minha caminhada de cura através de amor-próprio aqui, mas a minha maior lição de amor-próprio foi sem dúvida a que te vou contar agora. Um acidente que aconteceu enquanto eu estava a viver em Singapura, mas que apenas superei a 100% há cerca de um ano atrás.

Eu nunca vou esquecer o dia 9 de Junho de 2013. Estava na minha cozinha em Singapura, quando uma grande explosão aconteceu atingindo várias áreas do meu braço esquerdo. Felizmente foi apenas o meu braço, as outras áreas afetadas estavam cobertas pela minha roupa. Eu estava em casa sozinha, num país novo, onde não conhecia ninguém e para onde tinha emigrado pela primeira vez. Não tinha dinheiro no meu telemóvel e o Daniel e os nossos colegas de casa estavam na Universidade. Quando a explosão aconteceu eu comecei a gritar sem parar, a primeira coisa que fiz foi correr para a casa de banho e começar a atirar água para todas as áreas afetadas. De seguida, comecei a bater como louca nas portas dos meus vizinhos a pedir ajuda. Felizmente um casalinho mais velho de chineses levou-me para o hospital. Fiquei com queimaduras de 1º e 2º grau que levaram alguns meses para curar e uma delas levou um ano até cicatrizar completamente. Quando finalmente cicatrizou (eu já estava a viver em Londres) deixou uma grande cicatriz queloide que eu fiz de tudo para remover. Desde cremes milagrosos, a cirurgias e até a terapias de laser, mas sempre sem resultados.

 

Hoje eu sei que eram apenas mensagens do universo a dizer-me o quanto eu tinha que aceitar o meu corpo, com ou sem cicatriz, e amar-me profundamente e incondicionalmente.

Mas, acredita, foi preciso muito tempo para finalmente perceber a mensagem! Quando eu estava a viver em Londres, a minha cicatriz estava coberta a maior parte do tempo, o que fez com que eu me esquecesse dela e me focasse em curar a minha doença auto-imune com os melhores alimentos que a natureza tinha para me oferecer, e isso apenas aconteceu porque eu escolhi amar-me. E só quando me mudei para o Dubai, onde o meu braço estava sempre exposto, é que eu tive realmente que enfrentar a minha cicatriz e trabalhar no meu amor-próprio a um nível mais profundo.

Eu ainda estava a tentar todo o tipo de procedimentos para remover a minha cicatriz, mas nada funcionava. Foi realmente difícil para mim finalmente ultrapassar e aceitar que tinha de aprender a viver com ela. E aqui, mais uma vez, eu tive que realmente trabalhar no meu amor-próprio. Diariamente repetia ao espelho “Eu amo-me e aceito-me profundamente e incondicionalmente”. Mas eu tenho a certeza absoluta que só aprendi a amar a minha cicatriz há cerca de um ano atrás, quando escolhi usar um vestido que mostrava meu braço no dia do meu casamento (até lá era raro usar um top de alças!). Naquele dia tão especial, quando queremos sentir-nos no nosso melhor, e mais lindas do que nunca, eu aceitei o meu corpo e nunca me senti tão bonita! Desde então a minha cicatriz melhorou muitissímo! Acredito que o universo estava à espera que eu me aceitasse para me curar finalmente.

Hoje em dia eu escolho não cobrir minha cicatriz e quando alguém me pergunta sobre o que aconteceu eu explico com um sorriso na cara. Eu escolhi ver a beleza da minha cicatriz e ser grata por ela. Hoje eu amo a minha cicatriz pois ela conta a minha história e lembra-me diariamente o quanto eu tenho que me amar incondicionalmente todos os dias para que te possa também inspirar a fazer o mesmo.

Estou a partilhar isto contigo, porque quero que saibas que a perfeição não existe e nunca vai existir, mas podemos e devemos escolher amar-nos incondicionalmente a cada dia com as nossas perfeições e imperfeições. O que quer que seja que a sociedade te ensinou a odiar, seja uma cicatriz, acne, celulite, estrias, peso a mais ou a menos, nunca deixes que isso defina quem tu és. Por outro lado, elas apenas te tornam mais única e especial. É altura de abraçarmos as nossas imperfeições e levar o nosso amor-próprio para o próximo nível, para que possamos inspirar mais pessoas à nossa volta.

Muito obrigada por estares desse lado e por leres este artigo tão pessoal que partilho contigo. Agora é a tua vez! Também tens dificuldade em aceitar algo no teu corpo? Criticas-te diariamente? Dizes coisas negativas sobre ti ao espelho? Então, de que forma é que podes ultrapassar e começar a praticar amor próprio hoje? Partilha nos comentários em baixo.

Com amor,

Inês

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